terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

TRADIÇÃO BRASILEIRA VERSUS GTRADIÇÃO AFRICANA

Tradição brasileira versus tradição africana



O candomblé brasileiro chegou ao Brasil vindo de África e aqui sofreu uma série de modificações e adaptações para a sua própria sobrevivência. Além disso, por não ter escrituras como as outras religiões, amparou-se na tradição da oralidade e assim tem permanecido até os dias de hoje. A oralidade é a grande arma de sustentação do Candomblé tanto no aspecto positivo quanto no negativo.
A oralidade é uma arma de dois gumes. Ao mesmo tempo que preserva valores e tradições, degenera esses valores por ser um processo de transmissão oral e todos sabemos que na transmissão muita coisa se perde e se acrescenta. Há um dito popular muito sábio que diz: quem conta um conto aumenta um ponto. Esse é o risco da oralidade do qual o candomblé não sai ileso.
Um outro ponto a ser considerado é quanto aos conhecimentos trazidos de África pelos escravizados. As condições em que foram capturados, transportados e finalmente vendidos no Brasil pode não ter feito deles os melhores interlocutores. Mas foram eles, que correndo todos os riscos nos legaram esse patrimônio cultural e religioso que hoje chamamos Candomblé.
No entanto, o tempo passa e sua ação inexorável tudo apaga, o bom e o ruim. Os tempos heróicos e as perseguições dos senhores e da polícia passaram, apesar de termos ainda hoje resquícios dessa perseguição. Mas hoje, bem ou mal, em melhores ou piores condições o Candomblé goza de relativa liberdade de expressão. E uma nova camada de candomblecistas, filhos da periferia sim, mas com condições de ir às escolas, as faculdades, de fazerem viagens nacionais e internacionais, estão querendo saber um pouco além do que vai o cabedal oral que nos foi legado. E estão em busca, através de livros, viagens e cursos aquilo que os mais velhos não estão podendo passar, porque além do aspecto religioso, o candomblé tem também o aspecto cultural.
E aí se dá o grande embate. Muitos estão indo à África, através de viagens ou de bibliografia no afã de conhecer melhor nossa liturgia e compreender melhor nossos afazeres relativos ao sagrado. Claro que os puristas, os donos do saber, os acomodados, os pouco alfabetizados estão em polvorosa. Porque seu saber é tão escasso que temem perder o seu posto, posto esse fundado por eles mesmos, de detentores do saber iniciático. Julgam-se donos de tradições únicas, donos de raízes, detentores de um poder que não existe.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

L'esprit du temps de pharaon et l'esprit bakongo, esquisse d'une étude des similitudes

L'esprit du temps de pharaon et l'esprit bakongo, esquisse d'une étude des similitudes

Autor: Magloire MPEMBI d.b. NKOSI MD
Docteur en Médecine (Université Kongo)
Assistant en Neuropsychiatrie (CNPP MONT AMBA UNIKIN)
E-mail : jbmagloirem@yahoo.fr
Website: http://www.afrikadiata.fr.nf
* 1 J'emprunte cette expression au titre de l'ouvrage d'Erik Hornung :


Extraído e traduzido livremente pelo Prof. Dr. Sérgio Paulo Adolfo

http://memoireonline.free.fr/10/07/623/l-esprit-du-temps-des-pharaons-et-l-esprit-bakongo.html


O ESPÍRITO DOS TEMPOS DOS FARAÓS (1) E O ESPÍRITO BAKONGO: ESBOÇO DE UM ESTUDO DAS SIMILITUDES.(2)
Em resposta a interrogação do Professor Augustin AWAK’AYOM questionando porque os lingüistas africanos ignoravam o parentesco genético do Egito Faraônico e das línguas negro-africanas, demonstrado em 1941 por Liliane Homburger, continuam preferindo uma classificação empírica (3)
Lusala Lu NE Nkukaa publicou no Congo Afrique quatro estudos afrocentricos dos mitos, lendas e contos negro-africanos e egpícios.(4)
A origem das palavras e dos conceitos analisados ao longo desses ensaios prefigura uma síntese magistral das ligações entre o Egito faraônico e o Kikongo também sobre o plano semântico e gramatical.
Não se discute mais sobre a negritude dos antigos egípcios, e nem é necessário permanecer no terreno das provas perempentórias, atestando a continuidade histórica entre os Rametou (5) e os negros africanos atuais.
Nos nos propomos aqui a um esboço, uma aproximação antropológica entre a civilização kongo e a civilização egípcia tendo como base a realeza (I) a religião (2) os hábitos e costumes (III) e a moda (IV)


I. A REALEZA
“Da identidade de concepção que existe, em geral, entre o Egito e o resto da África negra, a concepção da realeza é um dos traços mais impressionantes” (6)
Dessa forma, com essas palavras, Diop começa o parágrafo sobre a realeza no Egito e na África Negra no seu livro inaugural. Sem se deter no caráter sacro-santo da função real, o autor descreve um rito, a festa do Sed, rito esse assentado sobre a conecpção vitalista comum na África. O faraó não podia reinar de fato e de direito sem estar em plena possessão de suas forças. Para regenerar suas forças vitais, ele era simbolicamente levado a morte no decorrer da cerimônia a que era submetido. “ O rei passava por um rejuvenescimento aos olhos do povo e estava então apto a assumir suas funções.” (7)
Entre os Kongo, o rei e o poder são as primeiras ligações virtuais de equilíbrio cosmobiológico universal. A força do Rei e a prosperidade coletiva permanecem uma só. (8) A perturbação mais grave que pode acontecer ao Mani Kongo é a loucura (do poder?). Ntinu Wene, o primeiro entre eles, passou por essa amarga experiência(9). A intronização, Nasku Lau tira do rei sua calda de búfalo a fim de protegê-lo mental e psiquicamente. Este ato era essencial para a vida do rei e de seu reino.
No Egito como no Kongo, o rei é ferreiro. E aqueles que exercem essa profissão o fazem em nome do rei. Assim “o trabalho de forja (lufu) era considerado como um trabalho especial e cercado do Nkisi e de numerosos tabus” (10).
Se o Rei goza das mesmas considerações no Egito tal como Kongo(11) o comportamento das pessoas em sua presença deverá apresentar similitudes nas duas áreas culturais. Joseph Ki Zerbo descreve as duas cortes: “.No alto da pirâmide social, há o Faraó, que se distingue dos outros homens por ser considerado divino (...). Em sua presença, as pessoas se prostram e cheiram o solo.” (12)
Diante dele, se ajoelham ou se prosternam, jogando poeira sobre a cabeça antes de implorar sua benção (...) (13)
Os egípcios e os kongo cheiram o solo e aspergem sobre a cabeça a terra a fim de monstrar sua submissão ao soberano.
II. Religião
Traços comuns em matéria de religião entre dois povos distantes no tempo e no espaço revela forçosamente um contato íntimo. A religião é sempre um traço por excelência da expressão livre do imaginário de um povo, e, não há chances que duas comunidades distantes tenham a mesma idéia de Deus por acaso.
Neste assunto Egito e Kongo se aproximam.
Os antigos egípcios e os bakongo são monoteístas. Deus tem o mesmo nome entre os dois povos. Imn (Amon) – Rá invertido da Nzambi; nza (Ra) e mbi (Imn com a supressão de m) o mb é o m egípcio reforçado; notemos que nza designa em kikongo a esfera solar vermelha (14)
A morte e a vida ocupam um lugar importante daí a pompa que cercam os funerais tanto no Egito quanto no Kongo.
A finalidade dos textos das piramides era de permitir ao defunto de adentrar no reino dos mortos (céu) e lá encontrar a felicidade (...)
Era necessário atravessar certos cursos d’água; para isso certos encantamentos eram colocados a sua disposição para que ele, forçando a passagem não olhasse para trás quando atravessasse a água.
Ás vezes, se o navegante se obstinava era necessário implorar ao deus Rá de o fazer obedecer. “ O Rá recomenda ao defunto olhar para trás, passar o Lago-de-Lys, para que ele possa tomar sua barca ali e poder passar aos deuses do outro lado do Lago-de-Lys, em direção do lado do céu.
“um outro local dos mortos que menciona a tradição kongo, é o Mpemba, o local dos mortos através do mar.(...) Os mortos, para chegar ao Mpemba, devem seguir o itinerário do sol. Porque a concepção dos antigos bakongo era que o movimento circular do sol parte do fundo do oceano, passando sobre nossas cabeças. O mundo era como uma grande montanha cercada de água. O homem vivia sobre esta montanha. De lá pode ver o sol se elevar sobre as águas e retornar e mergulhar novamente nelas, que é o lugar dos mortos, para os iluminar depois de ter iluminado os vivos. Para se chegar ao reino dos mortos (ku Mpemba) o sol passa pelo oceano (mbu, kalunga) e se ocupa em comer os caranguejos. Então, o sol, ele mesmo se torna um caranguejo, ou seja ele se transforma na canoa que transporta as almas au Mpemba(...)
Os bons vão se juntar aos ancestrais e os maus se perdem no caminho. Para alcançarmos a água teremos que ter um coração puro e ao nos juntarmos aos ancestrais teremos uma vida de plena paz e felicidade.
Esta descrição do ultimo plano de vida egipicioé a atualização do Livro dos Mortos citado por Braden. Os elementos singulares importantes se encontram nos dois textos: a água, o barco lá, a piroga aqui, as dificuldades sobre o caminho, uma constante referência ao sol. Que este último se transforme em caranguejo para transportar as almas no oceano lembra forçosamente a cosmogonia héliopolitana da criação. As águas primordias chamadas Noun – em egípcio existir, tornar a ser – chama ao mesmo tempo Rá – a ordem – e a serpente Apophis – a desordem – à existência (18). Cada noite, a serpente ameaça devorar o sol quando ele retorna ao Noun. Cada manhã o sol emerge Du Noun vitorioso.
Entre os bakongo, o destino reservado as almas que não entraram no paraíso e de se tornar Tebo. Van Wing nos dá a descrição: “um maldoso que viole todas as leis dos ancestrais ou do país, ele se tornará um tebo, um ser infecto, nauseabundo de cabelos vermelhos, errando sobre a terra sem descanso nem repouso, em comercio com os ndok os feiticeiros que sugam o sangue” dos homens (19). Cento e cinquenta e três páginas adiante, Van Wing é mais preciso: o Tebo é pequeno, feio, pele acinzentada, uma longa cabeleira russa, um odor nauseabundo e come carne humana. (20). Ora, no panteon egípcio existe Seth que os gregos chamavam de Typhon. Diop o descreve: “Seth, Typhon, o príncipe do mal e da desordem, o símbolo da traição e fruto da união entre um branco de cabelos avermelhados; até o fim de sua história os egípcios massacraram espontaneamente este tipo de branco como um ser impuro.” (21) Marguerite Divin o descreve como: “Era o terceiro filho da noite, branco de pele e vermelho de cabeleira” (22) Que dizer mais se não se inclinar ao poder dos fatos. As precisões de Van Wing falando em longa cabeleira vermelha, errante, permitem decalcar Tebo sobre Seth e de sobre ainda explicar porque os gregos o chamavam de vento errante...
III . OS COSTUMES

Os egípcios como os bakongo eram circunscisos. Os últimos continuam a praticar a circuncisão sem necessidade de explicar o seu sentido profundo. Este traço da cultura era também característica dos antigos egípcios em quem Heródoto se apoiou para demonstrar a identidade entre aqueles e os Colches. (23) Um outro elemento de similitude é o horror à homossexualidade entre os dois povos.
Na mitologia egípcia ela aparece como um atributo de Seth o príncipe do mal que não hesitou em violar seu sobrinho Horus.
E entre os bakongo?
Lá onde o comércio não era ponto permitido aos Brancos, com algum traço de pecado contra a natureza, constatavam os Capuchinhos em 1747. Dois séculos mais tarde, Van Wing tcava no mesmo tema: “
A homossexualidade continua muito rara (26) As p´raticas homossexuais são vistas como abomináveis e castigadas por Nzambi.”(27)
Mais uma vez a comunhão dos pontos de vista é perfeito.
IV . A moda
“…o rei e seus cortesãos se vestem de tecidos feitos de palmas(…)na frente usam como ornamento, pendente, a maneira de um avental, peles delicadas e bonitas, como as peles de pequenos tigres, de almíscar, pele de marta ou de animais parecidos,(...) (28)
“o rei e os nobres portam sapatos à antiga como se pode ver nas estátuas romanas...” (29)
O porte de peles de animais como ornamento e aquele das sandálias “a antiga” existia belos e bem no Egito. A acreditar em Ki-Zerbo esta tradição restou muito viva. (30)
A propósito do penteado entre os Bakongo, Pigafetta e Lopez nos informam que “ Eles (o Rei e seus cortesãos) se penteam de um pequeno boné, quadrado no alto, de cor vermelho e amarelo, que lhes cobre o alto da cabeça e que para além de um ornamento é sobretudo uma defesa contra o vento e o sol.” (31)
A cobertura bicolor do penteado acontecia igualmente com o Faraó. “os Faraós reuniram dois reinos e por isso eles usam a coroa vermelha do norte sobre um boné branco que era a insígnia dos reis do sul.” (32)
A presence das duas cores era o símbolo da unificação das duas terras. Entre os bakongo, muitos Nkisi (33) eram compostos entre outras coisas de uma terra vermelha e uma terra branca. (34)
Como se pode ver, a referência ao Egito mesmo no plano místico é constante.
Conclusão
Chega-se seguidamente a conclusão que os africanos que possuem uma inteligência superior o fazem por “concessionismo” ou para salvaguardar as amizades transculturais, são aqueles que tem os grandes idéias, a ponto de terem um discurso científico contraditório. Este é, por exemplo o grande drama de Joseph Ki-Zerbo. Ao afirmar que existe um “substratumde um parentesco original” entre o Egito (35) e as civilizações negro-africanas em razão da quantidades de traços culturais comuns, ele explica os últimos como “eixos amortecidos e degradados da civilização do Nilo” Isso nos deixa perplexos!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

AS ACADEMIAS INICIÁTICAS DO CONGO

AS ACADEMIAS INICIÁTICAS DO CONGO

Eu disse anteriormente que existia no Reino do Congo academias iniciáticas onde se ensinava a ciência do Kindoki. Eu citei o Lemba, o Kimpassi, o Buelo e o Kinkimba. Se bem que os racionalistas tem feito de tudo para diminuir o papel dessas academias e as apagar da memória dos Basikongos, elas continuam a viver e a preservar o essencial. Entretanto, a história fala mais do Lemba e dessa instituição podemos recolher abundantes informações. Portanto, além do Lemba, o Kimpasi continua bonito e bem vivo. Essas duas academias eram as mais representativas no Reino do Congo dia ntotila. O Lemba era mais freqüente ao norte do Nzadi Kongo, o rio Congo, e o Kimpasi tinha seu domínio no sul do mesmo rio.

O Lemba

A doutrina do Lemba é a parte da cosmogonia congo que ensina que o homem original Mahungu foi criado a imagem de Deus, homem e mulher. Ele manifesta perfeitamente os atributos de Deus, era semelhante a Deus e tinha seu domínio sobre todas as coisas da terra. Como desobedecesse, ele perdeu sua divindade e acabou dividido em dois: homem e mulher. Este mito todo mundo conhece, mas só os iniciados sabem que na realidade Mahungu, o homem divino não é nunca dividido em dois, mas que a humanidade apenas tem a impressão dessa divisão, mas que o homem original vive em cada um de nós. E que podemos voltar ao estado original, a nossa forma divina, graças aos pensamentos puros. O nganga-Lemba é aquele que é capaz de restituir no homem sua consciência divina original. Ele pode estar frente a frente com os antepassados, os Nkukunyngu.
A iniciação Lemba continua viva entre os basundi no congo-brazzaville.


O Kimpasi

O kimpasi é outra academia iniciática congo e que tem como objetivo despertar a divindade do homem através de vários rituais. O kimpasi também continua vivo entre os povos do antigo reino do Congo.

sábado, 14 de novembro de 2009

O nkutu do condado de Soyo

Extraído de http://www.abbol.com/bookbank/books/aequatoria%201961.pdf
Tradução livre do Prof. Dr. Sérgio Paulo Adolfo


eJè&c\ucitorici
N° 2 24e Année, 1961
O nkutu do condado de Soyo

Entre os objetos sagrados, as insígnias do poder, bi-bialulu destinados a investidura do Manin Kongo, figura uma bolsa, nkutu. Uma bolsa idêntica pertence ao condado de Soyo, Nkukulu a Soyo.

1 – Natureza do nkutu

O nkutu é antes de tudo o atributo do caçador. É uma bolsa de fibras de ráfia ou de ananás, de fundo arredondado, com uma alça para se levar ao ombro; o aspecto é aquele de uma bolsa usada para transportar mercadorias em uma viagem. O caçador a usa para transportar tudo aquilo que é necessário para uma jornada de caça. Os objetos transportados não são nem muito volumosos nem muito pesados, artigos de caça, caixinha de rapé, folhas de tabaco, fósforos, mandioca ou noz de cola; enfim, tudo aquilo que ele poderá necessitar. Pode ser que essa bolsa, antigamente fosse uma aljava. Mas depois, com a introdução do fuzil e outras armas de fogo, o arco e a flecha foram deixados de lado, só sendo hoje utilizados para matar pequenos roedores ou pássaros. Portanto, na bolsa vão duas ou três flechas não sendo necessário o uso de uma aljava.
O nkutu é praticamente indispensável ao caçador porque é através dele que ele transporta suas munições e algum alimento como um pedaço de mandioca, um naco de carne, mas nunca uma refeição completa porque a refeição completa ele fará quando voltar da caça. Cada caçador tem sua própria bolsa e é imperdoável que um caçador mexa na bolsa do outro, ou examine os objetos que ela contém.
Nkutu não é uma bolsa de provisões. O nkutu é uma bolsa do caçador e não do viajante. Sendo assim, ele é reservado ao uso somente dos homens e nenhuma mulher o usa. É um objeto reservado como o é o arco do tirador de vinho de palma (nkozo), o cordão da cesta das mulheres (lu-abi) que nenhuma pessoa de outro sexo pode usá-lo, pois é uma proibição (vina)
O nkutu é carregado sobre o ombro esquerdo. O cordão que o sustém deve ser bem longo para não atrapalhar os movimentos de quem o está usando.
O nkutu encontra-se entre os atributos da realeza entre os baKongo. O Mani Kongo tinha seu Nkutu assim como todos os governadores de províncias, duques e condes. É de supor que este atributo era uma tradição comum a todos os senhores chefes de terra e não algo exclusivo ao Rei do Congo. Nunca ele autorizaria aos seus vassalos se fosse um atributo de exclusividade real.
A origem do nkutu atributo da realeza deve ter surgido no ciclo da caça. Seu nome Nkutu deve ter originado da palavra “ko ago”, do substantivo Nknngo, o caçador. Todas os nomes de família derivam de uma sentença que explicite o nome através de um verbo do mesmo radical. Assim Kongo, deriva Du verbo kongo-kunga, reunir,ajuntar. Ma kongo é o senhor que reúne sob seu comando as famílias e os clãs diversos. Em efeito, porque numa det Toda a vida kongo está sob o signo da caça, cheia de reminicências da vida da caça.
Ser caçador é um trabalho nobre, o símbolo do homem livre. No MaYombe ninguém era iniciado a divindade protetora da terra, Nkisi si e agregado a sociedade dos BAsemuka se não fosse um caçador bem sucedido (sinal que era amado dos deuses). Animais e florestas constituem a base do folclore indígena. No Soyo, umas das poucas constelações conhecidas, a de Orion se constitue do caçador, do cachorro e da gazela.
Por ocasião da eleição do rei as referências a vida da caça são explícitas.Vejamos o que se passava em Cabinda para a consagração do Ma Ngoyo. Após a designação do futuro rei, ele deveria permanecer na Casa do Um-elele, o chefe do clã. Os conselheiros marcavam o dia Kando, dia da semana indígena para a primeira cerimônia. O pretendente então deveria passar pela aldeia do Ntoonde ele prestava o primeiro juramento. Um Nganga dava a ele a água benzida e colocava no seu braço direito um bracelete feito de latão, chamado vindt (seria uma alusão a transmissão do Nkutu?) A cerimônia seguinte com juramento se realizava na floresta de Ntende, à margens de um lago. Uma terceira era o reencontro do futuro rei com a princesa Ma Nkata, e isto acontecia dentro da floresta. Enfim, a última, um coito realizado com a mulher chamada Yambi sempre na floresta. Um outro autor (João de Mattos – Contribuição para o estudo da Região de Cabinda) acrescenta que para a sagração do Ma Ngoyo era necessário o rapto simulado da esposa do primeiro mandatário do clã, a permanência com ela na floresta durante três dias, se alimentando apenas de frutos crus, e percorrendo grandes distâncias. Entretanto, era necessário que o rei jamais execrasse a terra, e que fosse derramado sangue humano ou de um animal de grande porte.
O Ma-kongo do ka-kongo antes de se apoderar do trono era submetido a uma regime alimentar ritual que é normalmente aquele do caçador: raízes de mandioca e coco.

3. O nkutu de Soyo

O nkutu de Soyo não tem certamente outras origens.Entretanto, um outro elemento, a lenda da fundação da dinastia o insere. Para a compreender um giro pelos costumes dos Solongo se faz necessário. Se trata do Simbi. O simbi (PL. isimbi) é um ser de uma essência superior a nossa, um ser bem real, um pouco entre o material e o imaterial – é necessário evitar o termo espiritual – é uma espécie de gênio das águas. Pode ser macho ou fêmea, como os seres humanos. Em certas ocasiões pode-se surpreendê-lo, capturá-lo e aprisioná-lo, esse feito pode ser executado por pessoas que possuem uma força espiritual superior a dele. A morada desses gênios é a água, rios ou lagoas. Preferentemente esses locais são marcados por cascatas, cavernas ou rochas, abismos ou locais mais profundos. Eles vivem lá tendo uma boa convivência com os simples mortais, mas às vezes saem para visitar os humanos como divertimento.
Esses divertimentos podem entretanto ter complicações mais sérias. O simbi pode seguir então uma mulher que venha buscar água no rio ou um homem que mergulha em busca de pesca. Nove meses depois nasce uma criança na forma de albino, ou um par de gêmeos, ou um anão. Assim se pode distinguir simbi ia nlangu, o gênio das águas, do simbi ia ntandu, o gênio da terra firme, tendo em conta a maneira como ele encarnou num humano.

A crença na encarnação de um ser de outra ordem na forma de albinos ou de gêmeos é comum em toda a etnia kongo. No MaYombe entretanto, os mbaka-baka, os pigmeus e anões não eram considerados de essência superior. Enquanto que, sob o lado esquerdo do Zaire eles são considerados seres fabulosos, de lenda. O ki-lombo é exclusivo da margem esquerda. Enquanto o nome de ki lombo seja conhecido também no Ma Yombe e empregado como nome de pessoa, muito mais entretanto que na região de Soyo. (ki lombo significa também: caravana, uma quantidade de gente)
Antes do nascimento, o simbi pode se manifestar à mãe grávida seja através de sonhos ou por certos estados particulares. Isso é comunicado ao Nganga que dará as devidas explicações.
Muitos simbi podem nascer através da mesma mulher; um dos dois virá então como precursor; esse será o ki lombo.
Em seu nascimento, o ki lombo traz os signos de sua missão. Nas espáduas carrega uma bandeirola, em duplo cordão cruzado sobre o peito, nsinga ou ndembe a nleze. Sobre o alto da cabeça possuiu uma carapuça vermelha, mpu a ki mbungu a m’enga, literalmente: boné da cor do sangue. Sobre a borda exterior da mão ajunta-se um apêndice em forma de bolsa, nkutu. É um caçador rei ou um rei caçador que chega; ui utuka ki kutu muna to k andi ie ndembe a nleze ie ‘mptt a ki mbungu me ga= ele é nascido com a camisa sobre o corpo, a bandeirola e o boné vermelho.
A criança que nasce após os gêmeos se chamava – nlandu – Após o nascimento de albinos a mãe não poderá mais engravidar. Ki lombo, numba et zuzi, ndundu e mbi são as encarnações do simbi. Toda sua vida se desenvolverá sob esse signo.
O nascimento mesmo é um acontecimento. Todos os nganga simbi, eles também pais de simbi são convocados e consultados sobre a importância e a significação do fato. A criança e a mãe deerão evitar de sair de casa, não como as outras mães, durante um mês, mas permaneceram em casa dou ou três anos. A saída –i o teta nkandi= abrir a noz de cola, porque a mãe abrirá então uma noz. Como óleo de palma cobrirá seu corpo e o corpo da criança; ou o vaika va senze = abandonar a cama onde no primeiro mês a mãe dormiu com seu filho) sempre a uma nova lua = ngonde ii zanaamene) será uma cerimônia celebrada por grande número de pessoas. Nesta ocasião toma-se uma noz de cola (kanda e sombo) menos dura que as outras porque a mãe deverá abri-la de um só golpe de pedra( muanda e mose kaka ).

Mesmo criança o simbi usufruia sempre de um estatuto especial correspondendo a sua origem. Ele é independente do homem e da mulher, pois ele é um ser especial. Todos procuram tratá-lo bem e temem por sua vingança. Acreditam que ele poderá se tornar invisível para se vingar das pessoas.
Para manifestar seus desejos ou um simples capricho o simbi se serve dum médium, seja da família seja da aldeia, aparecendo em sonho e revelando o que necessita. A pessoa prevenirá seus familiares e aqueles irão executar.
Quando o simbi adquire uma certa idade é construído para ele uma cabana igual a dos demais mas um pouco afastada. A inauguração dessa cabana corresponde a uma espécie de consagração. Outros simbi são convidados para participar da inauguração. Um pequena cesta com tampa, - unde – mas em língua io bi : kangu Kia simbi, é necessária Os outros simbi colocam nela: a ponta da cauda de um animal – fu gi ou nsisa a miakasa, em língua simbi – nsese simbi, e seu espanta mosca. – lu vemba, uma pedra calcária, que pode ser reduzida a pó, tirada das falésias – ela se chama mpezo ou nguza porque ela é empregada nas cerimônias de ngola;todos os desenhos rituais serão feitos com ela.
Ntadi a ngubia, igualmente uma pedra calcária, mas de cor ocre, utilizada para os mesmos fins que lu vemba.
Tambi Kia ngufu, o casco do hipopótamo;
Ma sevo ou ma semono, búzios do mar, que são inevitáveis em todas as cerimônias;
Ma kazu, a noz de cola, necessária para os exorcismos; o feiticeiro a masca e espalha sobre os membros do consulente;
Zi mpangu, argolas de ferro;
Meso nkana – um fruto silvestre.
Todos estes objetos são venerados pelo seu valor mágico e são necessários em todas as cerimônias religiosas.
Na casa, o simbi continua sua vida dupla. Seguidamente durante seu sono ele faz predições do futuro, previne as pessoas de algum mal ou de alguma doença que poderá atacá-las, indica remédios e meios de se livrar dos conjuros. Se alguma calamidade ameaça a comunidade o simbi preside as cerimônias de expiação, benze os fiéis.
Um certo Mbungu-mbungu, um albino da aldeia Ki-ma-uete, percorria a região de Soyo, descobrindo infalivelmente os ba kisi, os maus feitiços, aqueles que matam, e os queimando em um grande auto-de-fé.
Os simbi eram sagrados, zi toma e nsi, depositários das forças mágicas para o bem da comunidade mas também eram investidos de autoridade religiosa e de poder regulamentar o culto religioso. Como na sociedade congolesa não havia divisão entre o poder religioso e o político, eles gozavam de um grande poder sobre a vida do clã. Os simbi eram por eles mesmos iniciados e afiliados a um grande número de feitiços. Para eles não existia nenhuma prescrição ou proibição ritual.

Segundo a filosofia congolesa, a personalidade completa de um indivíduo compreende tudo que está intimamente ligado a ele: dentes, cabelos, dedos, a marca de seus pés sobre a terra, até a sombra de seu corpo. Todos estes elementos guardam um contacto intimo entre a personalidade psíquica e moral do indivíduo. Cabelos e unhas se prestam maravilhosamente a todos os feitiços. Um tufo de cabelos jogados ao vento e recolhidos por um pássaro pode se tornar causa de loucura. É por esta razão que todo que se refere ao corpo deve ser enterrados, como uma pessoa e necessitando, conservado até que a ocasião se apresente, porque a terra é como uma guardiã do clã. Pela mesma razão nenhum rei ou príncipe serão enterrados se não estiverem completos
Sempre pelo mesmo motivo o famoso nkobe mbingu, uma espécie de relicário do clã, ou melhor, a reunião sempre atual do clã, continha uma mínima parcela dos membros vivos (cabinda, kakongo). E eis porque, unhas e dentes e cabelos de simbi eram colocados quase como simbi mesmo e que o nkutu de Soyo continha um fêmur de ndudu.
Evidentemente que essas pessoas simbi dificilmente encontram casamento, mas suas qualidades superiores intervêm em seu favor. Ao simbi homem é suficiente dar uma pernada (zombuka) nas pernas de uma mulher sentada. A mulher assim designada deverá automaticamente esposá-lo.
A simbi mulher poderá deixar-se fazer a vontade. Se ela parecer grávida o sedutor deverá ressarcir a família de todas as despesas. Mas uma mulher simbi não poderá fazer comida, nem ajudar nos campos, nem executar nenhum trabalho doméstico, o que torna inviável sua vida de casada.
Enfim, o simbi mesmo morto requer ainda um tratamento especial. A crença era, se se tratar de uma criança, que era suficiente estender o cadáver numa cama e fechar a porta da casa – vela Kia simbi – que espontaneamente as formigas sairiam da terra e construiriam uma casa em torno do morto até que ele fosse coberto pela terra. Se o corpo fosse enterrado seu corpo deveria ser enterrado em peças de tecido e colocado próximo de um curso de água, próximo da casa. A casa do morto continuaria por um certo tempo a ser centro de peregrinagem.
Ne Nzinga a Nsunda, o fundador da dinastia Soyo era um simbi, da espécie ki lombo. Somente essa ligação lhe deu esse nome, ele se chamava Nzinga, o enrolado (pela corda ndembe a nzele)
Tudo assinala o ki lombo: o boné vermelho, a corda cruzada e a bolsa de caçador, atributos dos nobres Solongo. Ainda hoje em ocasiões especiais usam um largo pano passado pelas espáduas – ndembe a nleze. Um costume idêntico foi observado em Cabinda. O boné vermelho era reservado a algumas cerimônias. E a bolsa de caçador é ainda hoje insigna da realeza, um aspecto comum a todos os clans do kongo.

B Papel do Nkutu

O nkutu do kongo servia para recolher impostos sob a forma de Nzimbu, e também para guardar documentos do arquivo real. No Soyo ele tem essas duas funções e também a de relicário familiar, tudo de uma maneira simbólica. O nkutu do Soyo contém: ntanda a kodal, uma corda com as pérolas vermelhas (coral) enfiadas; ntanda a sungu, um cordão com os cauris; lundu dua kulu dia ndundu bu kadi, o fêmur de um albino; crucifixo e medalhas de fabricação indígena, modelo daqueles introduzidos pelos primeiros missionários. Cada objeto tem sua significação e seu emprego próprios. Para os conhecer é necessário uma pessoa qualificada para os explicar, é necessário recorrer a interpretação por ocasião de cerimônias onde esses objetos são encontrados.
O crucifixo como emblema de autoridade indígena parece ser posterior ao período dos missionários capuchinhos; ele não aparece sobre as antigas gravuras que mostram o rei do Kongo, tinha seu cetro e seu cetro não parece coroado por um crucifixo. Quando os missionários abandonaram o país, o crucifixo passou a ser um objeto de bendição entre as mãos dos chefes

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Noz de cola entre os bantandu - grupo bakongo

A noz de cola é o fruto do colateiro (cola acuminata) planta da família dos sterculiacées, tais como o cacau, de origem da África tropical e da América Latina.
A noz de cola é apreciada por seu gosto amargo e ardente e apreciada sobretudo por suas propriedades tônicas e adestringentes. Ela contém cafeína, é um bom estimulante nervoso e tônico para o coração. Ela tem a reputação de facilitar a digestão e ter propriedades afrodisíacas.
Ela constitui junto com o vinho de palma (e o galo) os presentes que oferecemos aos”bakulu” (antepassados), nos casamentos e aos estrangeiros (os que visitam os membros do clã)
Distribui-se entre os convidados em todas as cerimônias como símbolo de boas vindas, símbolo de amizade ou para selar pactos de amizade ou promover a reconciliação. Distribui-se como um gesto de saudação com uma parte (da noz de cola) deslizando da palma da mão.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

CONHECIMENTO E FUNDAMENTO

Conhecimento e fundamento
O conhecimento é necessário em toda e qualquer atividade humana. Não seria diferente na religiao e sobretudo na nossa religião. É necessário e faz bem conhecermos nossa história, nossos ancestrais, as línguas que utilizamos em nossos rituais e tudo aquilo que estiver relacionado a nossa prática religiosa. Em todas as religiões as pessoas lêem e estudam muito. Há inclusive centros de estudos para formar sacerdotes. Caso do budismo, islamismo, cristianismo, judaísmo e assim por diante.No entanto, muitos confundem conhecimento cultural com os fundamentos do culto.Fundamento, a meu ver, são os atos executados no interior do baquissi, é o momento do sagrado, quando nossas divindades se fazem presente e guiam a mão do sacerdote para a execução correta do ato fundamental, por isso chamado de fundamento. Por outro lado, possa saber tudo o que se passa lá, posso conhecer as rezas e cantigas, posso saber matar o bicho e as comidas votivas, mas se não tenho nguzo recebido de nada vai me adiantar. Saber, no candombé não é poder fazer. Para poder fazer é necessário ter "mão" ou seja ter sido destinado pra aquilo, ter nguzo pra distribuir. Só o conhecimento não torna alguém um sacerdote. É preciso mais, muito mais.
Esses novos tempos tem confundido algumas pessoas em relação ao segredo do culto.Os segredos para serem mantidos não precisam ser camuflados. Os segredos existem e sempre existirão. Talvez não com mesma intensidade e necessidade que eles já existiram, mas eles continuarão existindo, porque o Candomblé é uma religião iniciática e dependendo do grau de iniciação do indivíduo ele pode participar de certos atos ou não. Para um ndumbo tudo é segredo, mas para um muzenza nem tudo é mais segredo, como o número de segredos de um kota é menor que o de um muzenza e assim por diante. Quanto mais avançamos em nossa iniciação mais os segredos nos serão desvendados. No entanto, o teor de cantigas, o uso de determinados modos da língua, a história dos povos africanos, a história da fundação das casas matrizes, nada disso é segredo porque nada disso constitue-se em fundamentos. Isso faz parte do conhecimento cultural e, na minha opinião, pode e deve vir a público.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

GALINHA DA ANGOLA

A galinha-d'angola, galinha-do-mato, guiné ou pintada (Numida meleagris) é uma ave da ordem dos galliformes, originária da África e introduzida no Brasil pelos colonizadores portugueses, que a trouxeram da África Ocidental.
No Brasil, a ave é conhecida por vários nomes, dependendo da região, sendo chamada de cocá, tô fraco ou angolista, ou ainda, erroneamente, de galinhola. Características
Em relação às características físicas, encontram-se três tipos. A mais comum é a pedrês - cinza com bolinhas brancas. Existem ainda as inteiramente brancas e também a pampa, resultado do cruzamento das primeiras. Também são conhecidas pelo nome de capote devido a plumagem.
Com cerca de três meses, o macho já apresenta uma crista pronunciada para a frente, como um chifre; na fêmea, essa crista é mais arredondada.
Algumas apresentam ornamentos de penas alongadas no peito. A espora está presente nos machos adultos. Possuem bicos curtos e fortes, próprios para ciscar.
Comportamento
As aves ficam nervosas facilmente, sendo extremamente agitadas, muitas vezes chegam ao estresse. São aves de bando: vivem em bandos, locomovem-se em bandos e precisam do bando para se reproduzir, pois só assim sentem estímulo para o acasalamento. E, como grupo, são organizadas. Cada grupo tem seu líder, o que é fácil de constatar no momento em que se alimentam: o líder vigia enquanto seus companheiros comem, e só depois de verificar que está tudo em ordem é que começa a comer.
São aves rústicas e fáceis de criar, exceto num ponto: deixadas soltas, escondem os ninhos com o requinte de botar os ovos em camadas e ainda cobertos por palha ou outro material disponível.
As galinhas-d'angola não são boas mães,raramente entram no choco, fazem posturas conjuntas, ninhadas de até 40 ovos, dispostos em camadas, desta forma somente os ovos de cima recebem o calor da ave e descascam. São inquietas, arrastam os pintos para a umidade, podendo comprometer a sobrevivência dos pintos. Em criações em cativeiro é recomendável recolher os ovos e colocá-los em incubadoras ou serem chocados por uma galinha.
Reprodução
Na hora do acasalamento a iniciativa é da fêmea. O período de abril a agosto (intervalo de postura) é aquele em que as aves estão mais sociais, vivendo em grandes grupos, e no qual trocam as penas. No final dessa fase, vão escolhendo seus pares (duas fêmeas para um macho), depois ocorrem os acasalamentos. O período principal de postura vai de setembro a março, com uma média de setenta a oitenta ovos cada fêmea.